Av. 3 de agosto CP.693-Bissau Telef:(+245) 3204111 / 3204112/ 3204113 Fax:+245 320 4114 Bissau, Guiné-Bissau
© 2009 APGB - Administração dos portos da Guiné-Bissau
Projecto do porto de Buba, na Guiné-Bissau, retomado com capital angolano
O porto de Buba, na Guiné-Bissau, projecto idealizado pela autoridade colonial portuguesa e mais tarde pela União Soviética, vai ser retomado com capital angolano, numa afirmação clara da apetência de Luanda pela região.
O investimento total previsto no projecto é de 500 milhões de dólares, a assegurar por privados angolanos e a contrapartida será a exploração do porto e também o negócio da extracção da bauxite, numa altura em que os mercados internacionais de matérias-primas marcam máximos históricos.
A exportação da bauxite extraída na região do Boé, segundo relata a newsletter Africa Monitor, estará a cargo da empresa Angola Bauxite, e implica a existência de uma unidade portuária de grandes dimensões em Buba, mas o projecto contempla uma outra componente para rentabilizar o investimento na construção.
Está prevista a construção de via férrea de ligação ao Mali e Burkina Faso, para que o trânsito de produtos para estes países do "hinterland" próximo passe a poder efectuar-se por Buba.
Esta componente está a criar algum incómodo em Dacar e Abidjan, cujos portos passariam a ter um concorrente importante no trânsito de mercadorias para o interior da região.
O ministro dos transportes de Angola, André Brandão, também ligado ao projecto, esteve recentemente em Abidjan, aparentemente com o intuito de tranquilizar as autoridades senegalesas, que já haviam manifestado apreensão, de acordo com a "newsletter" editada em Lisboa.
As condições naturais de Buba - sobretudo a profundidade das suas águas e amplidão da zona abrigada permitem que a infra-estrutura receba navios de grande calado, além de que está geograficamente próximo de zonas de exploração mineira e de grandes centros económicos do Mali e Burkina Faso.
O Africa Monitor adianta que à cabeça do projecto está Higino Carneiro, ministro das Obras Públicas angolano, que tem vindo a deslocar-se assiduamente à Guiné-Bissau, a última vez integrando a comitiva do primeiro-ministro Fernando Piedade dos Santos.
Ligado ao projecto surge a barragem hidroeléctrica do Saltinho, que permitiria satisfazer as necessidades energéticas das principais infra-estruturas.
A concretizar-se, será a realização de planos que datam primeiro da administração colonial portuguesa e depois da ligação guineense à União Soviética, que aspirava construir em Buba uma base militar naval.

.jpg)